SÍNDROME DE HIPERVENTILAÇÃO (SHV)


O que é síndrome de hiperventilação?

A síndrome de hiperventilação (SHV) é uma das causas mais comuns de falta de ar; muitos pacientes procuram a emergência por SHV, que resulta em ataques de falta de ar.

Uma pessoa normal respira de 6 a10 litros de ar por minuto, o que se chama ventilação. A ventilação é rigorosamente controlada pelo comando respiratório, um marca-passo que fica localizado no tronco cerebral. O objetivo da ventilação é regular o gás carbônico no sangue em níveis estreitos. A SHV, como classicamente definida, implica uma ventilação excessiva com queda do gás carbônico no sangue (CO2), resultando em diversas alterações no organismo, que podem ser reproduzidas pedindo-se ao paciente que respire profunda e rapidamente por 3 a 4 minutos. Nos últimos anos, por medida instantânea do gás carbônico através de sensores colocados na pele, demonstrou-se que, em muitos pacientes, o gás carbônico não cai durante os ataques de falta de ar, ou a queda acontece depois de iniciada a crise. Uma melhor designação para a síndrome seria de dispnéia (falta de ar) psicogênica ou comportamental. O comando da respiração sofre influêcias de diversas regiões superiores do cérebro e certas emoções como ansiedade podem desencadear os sintomas. Por sua vez, o comando respiratório tem sensibilidade variável em diferentes pessoas, o que facilita o desenvolvimento desta condição em pessoas com comando respiratório mais sensível.

Os sintomas da SHV e doença do pânico se sobrepõem consideravelmente, embora as duas condições sejam distintas. Aproximadamente 50% dos pacientes com distúrbio do pânico e 60% dos pacientes com agorafobia (comportamento de evitar lugares ou situações onde o escape seria difícil caso se tenha uma crise de pânico ou algum mal estar ou embaraço), manifestam hiperventilação como parte de seus sintomas, enquanto que apenas 25% dos pacientes com SHV manifestam doença do pânico.

Quais são os sintomas da SHV?

Pacientes com SHV crônica freqüentemente são submetidos a inúmeros exames na tentativa de esclarecimento da causa da falta de ar. Como a dor torácica pode ocorrer, exames para doença coronariana, como teste ergométrico e até angiografia são freqüentes. Pacientes com SHV aguda, que procuram um pronto-socorro, recebem o rótulo de neuróticos e são dispensados com o alerta de que “nada há de errado com seu organismo”, isto é, uma causa orgânica não foi encontrada e, portanto o quadro seria irrelevante do ponto de vista médico.

A doença é mais freqüente em mulheres, numa proporção de 7:1 e ocorre mais freqüentemente entre 15 a 55 anos de idade.

Os sintomas são:

O que causa a SHV?

A causa é desconhecida, mas as pessoas afetadas parecem ter uma resposta anormal ao stress e outros fatores desencadeantes. Sob stress, os pacientes com SHV passam a respirar muito mais com o tórax do que com o diafragma, resultando numa distensão exagerada da caixa torácica superior. Este padrão de respiração leva à falta de ar porque respirar distendendo a parte superior do tórax é muito mais difícil. Receptores situados nos pulmões e na caixa torácica disparam mensagens de “alarme de sufocação” para o cérebro. Diversos transmissores são liberados pelo organismo levando a palpitações, tremor, ansiedade e suor excessivo.

Como é feito o tratamento?

Na SHV aguda, a procura do Pronto-Socorro é recomendada, para que condições mais graves como enfarte, embolia pulmonar e pneumotórax sejam excluídas.
Respirar em um saco de papel, para impedir queda do gás carbônico, não é recomendado, podendo causar queda importante do oxigênio no sangue e mesmo morte. É ineficaz.

Uma explicação a respeito dos sintomas deve ser feita para o paciente.

A provocação dos sintomas por hiperventilação voluntária por 3-4 minutos frequentemente convence o paciente do diagnóstico, mas o teste pode ser negativo.

O paciente deve ser instruído para praticar respiração abdominal, usando o diafragma mais do que a parede torácica, o que melhora a falta de ar e os sintomas associados. A respiração diafragmática reduz a freqüência respiratória (figura), distrai o paciente durante as crises, e dá ao paciente uma sensação de autocontrole durante os episódios. Esta técnica é eficaz em muitos pacientes. O paciente deve procurar um profissional (ex. fisioterapeuta), que reforce a respiração diafragmática ou praticar Yoga que reforça o relaxamento e a respiração diafragmática.

Os usos de ansiolíticos podem trazer alívio para o stress, mas o uso prolongado deve ser feito com cuidado. Diversos estudos mostraram sua ineficácia na SHV.

Terapia para redução do stress, beta-bloqueadores, antidepressivos (quando há síndrome do pânico associada são essenciais) e retreinamento respiratório pode reduzir os sintomas e a freqüência das crises. Consulta com psicólogo ou psiquiatra é recomendada.

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